Harmônicos
São os sons parciais que normalmente compõem a sonoridade de uma nota musical. Eles se fazem presentes pelo fato de que tanto uma corda quanto uma coluna de ar têm a característica de vibrar não apenas como um todo, mas também como duas metades, três terços etc., simultaneamente. (SADIE, 1994, Harmônicos)

A quantidade de sons parciais e a qualidade de cada um (força relativa de cada parcial) determina o timbre de um som, logo, sem os parciais (harmônicos), qualquer som soa de maneira igual, quer seja emitido por um piano, violão, contrabaixo etc.



Timbre é a combinação de vibrações determinadas pela espécie do agente que as produz. O timbre é a "cor" do som de cada parte (instrumento ou voz), derivado do conjunto de harmônicos (sons) que acompanham o som principal.

Série Harmônica

É o conjunto de sons que acompanham um som fundamental (som gerador, som principal).

A série harmônica é a única "escala" natural, inerente à própria ordem do fenômeno acústico. Todas as outras são construções artificiais das culturas, combinações fabricadas pelo homem, dialogando, de alguma forma, com a série harmônica, que permanece como referência modelar subjacente, seu paradigma. (WISNIK, 1999, p. 24)

Logo abaixo estão os 16 primeiros harmônicos da nota dó


Quanto mais rica em harmônicos superiores, mais brilhante a sonoridade de um instrumento; o oboé e o violino são instrumentos com muitos harmônicos mais agudos, enquanto a flauta transversal e a flauta doce têm um som fundamental mais forte e harmônicos mais fracos e em número menor (SADIE, 1994, Harmônicos).

O som "oco" do clarinete é criado pela predominância de harmônicos ímpares. Em alguns corpos vibratórios, particularmente sinos, a forma irregular provocará sons que não são harmônicos parciais; isso pode levar a uma percepção de altura confusa ou dúbia.

Os harmônicos são usados de diversas maneiras nos instrumentos musicais:

a) Os executantes de instrumentos de sopro de madeira podem "oitavar" seus instrumentos soprando-os com maior intensidade para produzir a 8ª (oboé) ou a 12ª (clarinete), e com isso ampliar a extensão; isso pode ser feito por pressão labial e/ou desobstruindo-se um dos orifícios nadais do tubo.

b) Nos instrumentos de sopro da família dos metais, que possuem tubos mais longos e mais estreitos, o intérprete pode escolher o harmônico a ser emitido por meio de pressão labial; antes da invenção das válvulas (c. 1815), somente harmônicos naturais relativos à conformação daquele tubo podiam ser produzidos (e, em algumas circunstâncias, os sons vizinhos).

c) Nos instrumentos de cordas, os executantes podem fazer com que uma corda só vibre em determinadas seções, tocando-a levemente no ponto adequado; isso pode produzir uma nota de qualidade suave, argêntea (às vezes chamada "flageolet"). Estes são "harmônicos naturais", baseados na corda solta; os "harmônicos artificiais" podem ser produzidos prendendo-se a corda e, ao mesmo tempo, roçando-a levemente uma 4ª acima, o que resulta numa nota duas 8as acima (isso provoca um efeito de grande virtuosismo).


REFERÊNCIAS
MED, Bohumil. Teoria da Música. 4ª. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Musimed, 1996. 420 p.

SADIE, S. Dicionário Grove de Música. Tradução de Eduardo Francisco Alves. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. 1060 p.

WISNIK, José Miguel. O Som e o Sentido. Uma outra história das músicas. 2ª ed. São Paulo, Companhia das Letras, 1999, 285 p.

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