Indicações de Andamento e Expressão
Instruções textuais e de outros tipos, para executantes, são encontradas em partituras desde o século XVI, apesar de raros indícios de seu uso até o século seguinte. No final do século XVII, era em italiano que as indicações básicas de andamento, bem como as indicações de dinâmica, estavam definidas e internacionalmente reconhecidas. A mais antiga e abrangente compilação dessas indicações é, provavelmente, a do Dictinnaire (1703) de Sébastien de Brossard. Sua origem linguística reflete o predomínio da música italiana na Europa no período 1600-1750, quando as indicações de andamento e expressão foram sistematizadas. Indicações em inglês e alemão já eram adotadas na música antiga, e um amplo sistema de instruções em língua francesa foi desenvolvido no início do século XVIII. Alguns compositores alemães do século XIX preferiam usar sua própria língua, o mesmo acontecendo em diversas nacionalidades, porém as expressões italianas padrão prevaleceram por força do hábito e da tradição. Além disso, o "italiano da música" nem sempre é fiel à língua italiana, já que o sentido musical às vezes mantém apenas uma vaga relação com o sentido literal, e muitas palavras não correspondem ao italiano corrente (andantino, glissando).

Outros fatores, além de indicações de andamento, podem influir sobre a velocidade em que uma peça deve ser executada. Na música antiga a fórmula métrica, ou sinal mensural, era significativa; ao longo da história, a escolha dos valores das notas foi determinante. Houve também, em alguns períodos, um consenso a propósito do que seria o "tempo giusto", ou andamento exato – um conceito relacionado ao tactus do Renascimento, e por vezes medido em termo da batida cardíaca (uma mínima na métrica quaternária equivalia a duas batidas do coração), do passo a que se andava, ou do ritmo da respiração. Outros fatores levavam em conta a relação da música com um andamento de dança de conhecimento geral ou o conteúdo textual de uma peça musical. A partir do início do século XIX, os compositores puderam contar com o METRÔNOMO para uma medida precisa do andamento, apesar de muitos se mostrarem relutantes em adotá-lo por sua rigidez (a qual podia sugerir que o andamento era inalterável no decorrer de uma obra e que o andamento correto não teria relação com circunstâncias não inerentes à execução, como p.ex., a acústica da sala em que a peça viesse a ser apresentada).

Estabeleceu-se um razoável número de convenções para o uso desse tipo de indicações na música, entre eles: andamento e instruções similares deveriam ser impressos na cabeça de cada movimento, geralmente em tipo negrito; indicações de dinâmica deveriam ser notadas abaixo de cada pentagrama, separadamente para cada intérprete ou voz, em tipo itálico negrito, usando as abreviaturas tradicionais; indicações expressivas, incluindo alterações de dinâmica e andamento, deveriam ser impressas em tipo itálico e as instruções técnicas em tipo romano ("com sordino" etc.).

Andamento

a) Poder-se-ia dizer que: é a velocidade que se emprega à execução musical.
b) É a indicação da velocidade em que uma peça musical deve ser executada.
c) É a indicação da duração absoluta do som e do silêncio determinando precisamente a duração das figuras.

As primeiras tentativas para encontrar um sistema que permitisse controlar o tempo em música estão relacionadas com o ritmo cardíaco do homem, que era a base de cálculo para determinar a pulsação da música a ser executada, por exemplo: 60 pulsos por minuto.

Pulso é uma unidade básica utilizada para medir o tempo. É uma constante sucessão de impulsos, que são repetidos através da divisão do tempo de forma igual.

BEAT – É uma palavra inglesa que designa os tempos ou batidas de um compasso musical e, que se emprega no jazz de modo mais enfático como sinônimo de pulsação rítmica. Um músico ou banda que tem BEAT significa que tem balanço, swing (JACQUES, 2009, p.57).

Metrônomo

a) É uma palavra derivada do grego: metron ("medida") e nomos ("lei"). Designa um aparelho que produz batimentos cuja frequência e regulável. Embora a sua invenção seja normalmente atribuída a Johann Nepomuk Maelzel (1772-1838) em 1815, este não fez mais do que copiar um aparelho já existente, pôr-lhe uma escala de tempo e patenteá-lo como nome de metrônomo. Na realidade, o aparelho foi inventado por Dietrich Nikolaus Winkler (c.1780-1826) de Amsterdã, em 1812 (HENRIQUE, 2003, p.875).

b) É um aparelho de relojoaria que, colocado dentro de uma caixa de madeira (ou plástico) em forma de pirâmide, aciona um pêndulo. Serve para determinar o andamento, produzindo batidas regulares.

Deve-se a Galileu as leis físicas do pêndulo e é baseando-se nessas leis que alguns autores referem a medição do tempo controlado por pêndulos.

O exemplo abaixo significa que: o metrônomo vai bater cem vezes por minuto e serão cem semínimas por minuto.


Conforme a colocação do marcador (o peso no pêndulo) as batidas são mais lentas (peso em cima) ou mais rápidas (peso em baixo).

A escala do Metrônomo MAELZEL fixa os andamentos na faixa entre 40 batidas por minuto (para os andamentos mais lentos) até 208 batidas (para os andamentos mais rápidos).
A indicação M.M. significa: Metrônomo de Maelzel.
O primeiro compositor a usar indicações metronômicas foi Beethoven.
O compositor Chopin impunha a seus alunos o uso do metrônomo.

A indicação metronômica é colocada ao lado do andamento ou isoladamente, ou seja, no início da peça ou no decorrer dela.


A indicação metronômica pode ser designada para qualquer figura.


Os termos italianos usados para indicar aproximadamente os andamentos na música dividem-se em três grupos: Andamentos Lentos - Médios – Rápidos.

Andamentos lentos (de 40 a 72)
a) Grave (40) = muito devagar, sério, pesado
b) Largo (44-48) = muito vagarosoLento (50-54) = devagar
c) Adagio (54-58) = vagaroso, calmo
d) Larghetto (60-63) = menos lento que Largo
e) Lentissimo, Adagissimo, Larghissimo = o mais devagar possível

Andamentos médios (de 72 a 120)
a) Andante (63-72) = andamento pausado como de quem passeia
b) Andantino (69-80) = um pouco mais rápido que Andante
c) Sostenuto (76-84)
d) Commodo (80)
e) Majestoso (88-92) = moderadamente
f) Allegretto (104-108) = razoavelmente depressa; mais devagar que Allegro
g) Animato (120) Com Moto (120)

Andamentos rápidos (de 120 a 208)
a) Alegro (132) = depressa, rápido
b) Vivace (160) = vivo, ligeiro, com vivacidade
c) Vivo (160)
d) Preto (184) = muito depressa, veloz
e) Prestissimo (208) = rapidíssimo, o mais depressa possível Alegrissimo, Vivacissimo = o mais depressa possível

Observações:
a)
O andamento Allegro é um andamento rápido, mas não necessariamente alegre.
b) Os termos italianos são de três tipos: Palavras básicas, Diminutivos e Superlativos.
Palavras básicas: Grave, Lento, Moderato, Allegro etc.
Diminitivos para amenizar o movimento: Allegro - Allegretto; Largo - Larghetto; Andante - Andantino.
Superlativos para exacerbar o movimento: Lento - Lentissimo; Vivace - Vivissimo; Presto - Prestissimo.

A equivalência entre os andamentos expressos por palavras e a indicação metronômica varia muito conforme o compositor, a época, o estilo etc.

Os andamentos podem ser também indicados com nomes de danças:
a) Tempo di Polka;
b) Tempo di Marcia;
c) Tempo de Mazurka;
d) Tempo de Gavota;
e) Tempo di Waltzer;
f) Tempo de menuet;
g) Tempo alla Marcia, alla Mazurka etc.

A palavra "alla" significa "no estilo".

As indicações de andamento são grafadas no início do trecho sobre o pentagrama (em cima da fração de compasso).


Todas as outras indicações são grafadas, de preferência, embaixo do pentagrama.


Alguns adjetivos que expressam as nuances dos andamentos:
a) assai = muito, bastante
b) abbastanza = bastante
c) meno = menos
d) molto = muito
e) mosso = movimentado
f) più = mais
g) poco = pouco
h) poco a poco = pouco a pouco
i) moderato = moderadamente
j) non tanto = não tanto
k) quasi = quase non troppo = não demais

Exemplo: Alegro non troppo; Allegro assai; Andante meno mosso; Andante quasi lento.

Alguns compositores brasileiros preferem as palavras em português para indicar os andamentos: dengoso, depressa, devagar, sem pressa, saltitante, saudoso, rápido etc.

Modificação dos Andamentos
As modificações momentâneas no andamento original são indicadas no decorrer de um trecho musical.

Algumas expressões que representam modificação momentânea:
Apressar o andamento:
a) Accellerando (accel.)
b) Stringendo (string.)
c) Più Mosso
d) Più vivo = cada vez mais rápido e) poco a poco accelerando = precipitando

Retardar o andamento:
a) Ritardando (rit. ou ritard.)
b) Allargando (allarg.)
c) Rallentando (rall.)

Observações:
a) Para suspender o andamento, utiliza-se a palavra “Ad libitum” (ad lib.): a interpretação é livre, sem métrica.
b) Para voltar ao andamento original utiliza-se a palavra “A tempo”


Coroa ou ponto coroado é um sinal de prolongamento.

São três os tipos de coroa: FermataSuspensãoParada
a) Fermata: sobre ou sob FIGURA, indica prolongamento, à vontade, da figura.
b) Suspensão: sobre ou sob PAUSAS, indica prolongamento, à vontade, da pausa.
c) parada: sobre BARRA DUPLA, indica pequena interrupção entre duas partes do trecho musical.


O prolongamento “à vontade” varia de acordo com o estilo, o andamento, a estética e a interpretação do executante.

Se não houver modificação de andamento antes da fermata, não é necessário escrever “a tempo” depois dela.

Rubato
a) Diz-se do andamento ampliado além daquele matematicamente disponível; assim, retardado, prolongado ou ampliado.

b) Palavra que indica uma certa liberdade das figuras sem alterar, no entanto, a divisão do compasso, Rubato em italiano significa “roubado”. Surgiu na música romântica.

Agógica
a) Termo para um tipo de acentuação que se baseia antes na duração (um certo repouso sobre a nota a fim de enfatizá-la) do que na intensidade; é importante na música para instrumentos como o cravo ou o órgão nas quais a intensidade sonora não pode ser alterada imediatamente, sendo preciso encontrar outros meios de acentuação. O termo “agógica” às vezes é usado para designar qualquer tipo de desvio em relação ao rigor rítmico.

b) Procedimento de articulação de sons, que implica alteração de andamento, expressão, caráter etc.

REFERÊNCIAS
HENRIQUE, Luis L. Acústica musical. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. 1130 p.

JACQUES, Mario Jorge. Glossário do Jazz. São Paulo : Editora Biblioteca24horas, 2009. 538p.

MED, Bohumil. Teoria da Música. 4ª. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Musimed, 1996. 420 p.

SADIE, S. Dicionário Grove de Música. Tradução de Eduardo Francisco Alves. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. 1060 p.

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