Breve História da Acústica Musical : Idade Média (HENRIQUE, 2003, p. 16)
Século XI

No século XI, o monge e artesão alemão Theophilus (também chamado Rugerus), escreveu o tratado Diversarum artium Schedula, tendo dedicado vários capítulos à construção de órgãos e tubos de órgão, e à fundição de sinos e címbalos. Theophilus descreve o método de fazer moldes de sinos e címbalos, dando instruções para que se possa controlar a afinação durante o fabrico do molde, pesando rigorosamente a quantidade de cera. Se depois de fundidos, o resultado sonoro não fosse o esperado, Theophilus sabia como corrigir a afinação: "se desejar que o címbalo fique mais agudo, terá que limar a boca na parte inferior; para o baixar, enrolar o rebordo em circunferência" (Hunt, 1978).

Século XII

Durante o século XII, dá-se a transferência da "ciência natural" para o Ocidente sobretudo como consequência das viagens de Adelard de Bath (Inglaterra; fl. 116-42) à Itália e à Asia menor. Aderlad traduziu tratados matemáticos árabes e, quando regressou, escreveu uma pequena mas importante obra: Quaestiones Naturales (c.1111-16) redigida em forma de diálogo, no estilo platônico. Nesta obra, Aderlad afirma que viajar, teve, pelo menos, a virtude de o pôr em contato com a tradição acústica grega tal como aconteceu a Boécio na sua Musica, autor que ele refere explicitamente (Hunt, 1978).

O chanceler de Oxford e bispo de Lincoln, Robert Grosseteste (c.1168-1253), escreveu De generatione sonorum em que faz uma excelente descrição da relação entre as vibrações transversal e longitudinal. Grosseteste explica o que se passa a nível de vibrações quando se percute um bloco ou uma barra (Hunt, 197 8).

Ciência Muçulmana

Não existem muitos documentos provenientes da cultura greco-romana que tenha chegado até nós na sua forma original. No entanto, conhecemos suficientemente bem a tradição científica grega graças à tradução feita em conjunto dos manuscritos gregos para árabe durante os séculos 8 e 9, os quais foram de novo traduzidos, agora de árabe para latim nos séculos 12 e 13.

Pensa-se que a Idade Média correspondeu a um grande interregno no desenvolvimento da ciência, mas um número substancial de sábios muçulmanos desse período, fizeram descobertas científicas de importância equivalente às dos sábios gregos. No entanto, a maioria dessas descobertas pouco ou nada acrescentou ao que já se sabia dos gregos, e daí eles serem quase completamente esquecidos. A ciência muçulmana é uma mistura de conhecimentos de origem grega, romana e judaica, que sobreviveram na corte imperial bizantina em Constantinopla (Dampier, 1971).

REFERÊNCIA
HENRIQUE, Luis L. Acústica musical. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. 1130 p.
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