Breve História da Acústica Musical : Renascença (HENRIQUE, 2003, p. 19)
A Renascença é um período importante pelo aparecimento de numerosos tratados teóricos no âmbito da música. De uma maneira geral, começam por referenciar a divisão do monocórdio, no seguimento de uma atitude já iniciada na Idade Média (Boécio, Guido d'Arezzo).

Leonardo da Vinci (1452-1519), pintor, escultor, engenheiro, arquiteto e sábio, nasceu em Vinci. Os seus cadernos de escritos e os seus desenhos mostram que se interessou por todos os ramos da ciência e da arte. Começou a escrever vários livros, mas nunca acabou nenhum. Devido ao seu interesse de conhecimento universal, há também naturalmente referências acústicas importantes. Através da observação dos ecos, Leonardo concluiu que a velocidade de propagação do som era necessariamente finita. Observou e descreveu também a vibração por simpatia, dizendo que pondo a vibrar uma corda de um alaúde, esta provoca a vibração da corda da mesma nota de outro alaúde que esteja perto, o mesmo se passando com os sinos (Hunt, 1978).

Francis Bacon (1561-1626) é considerado iniciador da atitude científica no estudo dos fenômenos, por ser o primeiro a expor a teoria do método experimental. Publicou em 1624 The New Atlantis, uma obra essencialmente sobre ciência. Defendendo a ideia de que a ciência deve ser estudada sistematicamente, o aumento de conhecimento deve partir de novas experiências, deduzindo as leis da natureza (Johnton, 1989). O conceito de Bacon é considerado o que hoje se designa por método científico.

Zarlino (1517-1590)

Gioseffo Zarlino de Chioggia, teórico e compositor italiano, nasceu em 1517 em Chioggia, perto de Veneza. Foi cantor e organista na Catedral de Chioggia. Estudou em Veneza com Adrian Willaert (c.1490-1562), e ocupou e lugar de mestre de capela na Catedral de S. Marcos de 1565 até à sua morte.

Zarlino tem uma importância histórica crucial, sendo considerado o principal representante da teoria musical da Renascença (Gaínza, 1992). Nas sua obras teóricas, Zarlino codifica e sintetiza toda a teoria musical do Renascimento, desde a classificação dos instrumentos até às regras de composição e de afinação da escala.

A sua mais importante é Institutioni Armoniche, publicada em 1558, e reeditada em 1562 e 1573. Publicou ainda Dimostration Armoniche (1571) na forma de cinco diálogos entre Willaert e os seus discípulos, e Sopplimenti Musicali (1588).

Relativamente aos intervalos consonantes, Zarlino alarga o conceito pitagórico integrando mais dois números inteiros. O conjunto dos números inteiros de um a seis é designado senário. Este sistema permite atribuir uma afinação justa às 3ªs maiores e menores, que o Renascimento tinha integrado de modo permanente na polifonia. Zarlino retoma a atitude de Aristoxeno, de considerar a importância do contributo do ouvido na afinação das 3ªs.

REFERÊNCIA
HENRIQUE, Luis L. Acústica musical. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. 1130 p.
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