Dedilhado ou Digitação (SADIE, 1994, Dedilhado)
Os princípios do dedilhado, ou digitação, nos instrumentos de teclado variaram bastante entre o século XV e a época atual; há um consenso difundido entre os estudiosos da música antiga para teclado de que, sem uma compreensão adequada dos sistemas antigos de dedilhados, é impossível articular a música da maneira que o compositor pretendia originalmente. Muitos desses sistemas usam com parcimônia o polegar e o dedo mínimo, em particular nas passagens de escalas para a mão direita, onde "dedilhados aos pares" (usando o segundo e o terceiro, ou o terceiro e o quarto dedos repetidamente) costumavam ser recomendados, exigindo um estilo de cruzamento de dedos possível de ser controlado em instrumentos de toque leve, em que as teclas só precisavam ser ligeiramente pressionadas. Na época de Bach e Couperin, passou-se a adotar formas mais flexíveis de dedilhado; no final do século XVIII, na época de Clementi, e com Czemy no início do século XIX, foram estabelecidos os princípios modernos – que os dedos longos nunca deveriam se cruzar, que o polegar deveria ser usado como único pivô, que deslocamentos desnecessários na posição da mão deveriam se evitados, e que o mesmo dedo não deveria ser empregado em duas notas consecutivas. O uso do polegar nas teclas pretas foi durante muito tempo desestimulado, mas o uso livre e flexível de todos os dedos é atualmente aceito. Em geral, a digitação é notada numerando-se o polegar como 1, o indicador como 2 e o mínimo como 5; esse sistema costumava ser conhecido como "dedilhado continental", enquanto o "dedilhado inglês" (preferido nas publicações britânicas, do final do século XVIII ao início do século XX) mostrava uma cruz para o polegar, 1 para o indicados e 4 para o mínimo.

Nos instrumentos de cordas, a digitação envolve a ação de prender as cordas com a mão esquerda e está estreitamente ligada à notação, ao timbre e à expressão. Nesse caso também, os sistemas mudaram de acordo com a época, os instrumentos e suas exigências expressivas; dependem também de fatores como a presença ou não de trastes e do modo como o instrumento e seguro, devido à necessidade de deslocar as mãos para posições diferentes. Nos instrumentos executados sem arco, tais como o alaúde, o violão etc., chama-se "dedilhar" o ato de tanger as cordas sobre o tampo harmônico com a mão direita.

Os princípios do dedilhado em instrumentos de sopro diferem dos de instrumentos de teclado e de cordas, porque configurações semelhantes são usadas para produzir diferentes notas. O princípio básico para os sopros de madeira recomenda que os dedos sejam erguidos sucessivamente de uma série de orifícios, fazendo com que o comprimento de vibrações da coluna de ar seja assim sucessivamente reduzido. Normalmente, esta ação produz uma escala diatônica, e as notas cromáticas são obtidas através de "dedilhados cruzados" (mantendo-se os orifícios mais abaixo cobertos, enquanto os que estão mais acima devem ser abertos) ou por chaves adicionais, também operadas normalmente pelos dedos. Nos instrumentos da família dos metais, os dedos, às vezes incluindo o polegar, são usados para acionamento de válvulas.

REFERÊNCIA
SADIE, S. Dicionário Grove de Música. Tradução de Eduardo Francisco Alves. Rio de Janeiro : Zahar, 1994. 1060 p.
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